Acabo de vir do almoço no Café Paulista, em Santos (Praça Rui Barbosa, 8, (13) 3219-5550. Cc: todos. Seg. a sex., 6h30/20h, e sáb. até às 16h30). Pra quem não conhece, é o mais antigo restaurante da Baixada Santista e um dos poucos, se não o único, que merece uma parada.
Já era tarde. Comemos apenas meia porção de maionese de pescada (tem todos os dias), uns camarões empanados e empadas de palmito com camarão. Tô falando isso porque há poucos dias, no Viaje na Viagem, o Ricardo Freire, que a partir de agora só vou chamar de Riq, porque é assim que, eu acho, ele gosta, reproduziu um comentário meu sobre Santos e o que um turista pode fazer nesta brava cidade portuária.
Quer dizer, já foi brava, hoje em dia tá domada e um pouco envelhecida, com as desvantagens e as vantagens que o peso do tempo proporciona. Mas não vou falar sobre Santos.
Vou falar sobre o Café Paulista. Enquanto comia e conversava com a minha queridíssima mulher, me estremeceu a idéia de que quando o Manolo e o Antônio (os irmãos, ex-garçons, que hoje são os donos) se afastarem, a cidade vai perder o último vestígio vivo da história de seu apogeu econômico. E, pior ainda, uma cozinha digna, tradicional e de um padrão que resiste desde que eu fui lá a primeira vez, há uns 30 anos.
O Café Paulista é daqueles lugares vivos, em que o barulho das xícaras, colheres, pratos e copos mistura-se com o ruído das conversas, na maior parte das vezes sobre trabalho (café, exportação, porto) e futebol (Santos F. C., nada é perfeito).
Suas paredes são decoradas com murais em azulejos, imagens do interior de São Paulo, motivos agrícolas, particularmente o café.
O clássico, como eu disse no Viagem, é a Garoupa à Guanabara, um espeto com o lombo do peixão grelhado (longe de ficar ressecado, ainda recebe uma demão de um molho à base de tomates frescos), servido sobre um arroz malandrinho com tomates e palmitos. Vale também encomendar (só assim entra no cardápio do dia; se vierem de fora da cidade, liguem antes) o Cuscuz à Paulista, servido à mesa em porções e regado com molho de frutos do mar.
Durante a semana, há pratos do dia com cabrito, cordeiro, língua e fígado de boi e outros ingredientes pouco usuais na cozinha comercial moderna (na foto acima, a feijoada encabeça o cardápio porque era sábado quando foi feita).
As sobremesas são todas manjadas e simples: pudim de leite, banana da terra caramelizada, cremes de papaia e abacate, salada de frutas e frutas em porção. Por incrível que pareça, são ótimas, e pra quem gosta tem até geléia de mocotó (tô fora!), mas aí não é sobremesa, é café da manhã ou da tarde.
Até o cafezinho, tradicional, de coador, é melhor do que a maioria dos expressos que você toma por aí.
No almoço de hoje, pensei que o Paulista é uma espécie de Confeitaria Colombo de Santos (tudo bem, guardadas as diferenças interplanetárias entre Santos e o Rio), com a vantagem de não ser voltada para atender turistas (vocês sabem, o bom turista odeia ser confundido com turista).







Abril 20, 2007 às 12:25 pm
[...] passada tinha nos oferecido aquele belo guia de Santos. O primeiro post é justamente sobre o Café Paulista, “a Colombo dos santistas”. Bem-vindo ao mundo da blogagem, [...]
Abril 20, 2007 às 12:46 pm
Bem, eu quero desejar boas vindas ao mundo blogueiro, sucesso e que compareça sempre no VnV e, também, se me der o prazer de aceitar o convite, ao meu Fatos & Fotos de Viagens.
Bem-vindo!
Abril 20, 2007 às 6:03 pm
Beto, seja muito bem-vindo! Estou te linkando lá no Idas e Vindas, Ok?
Abril 20, 2007 às 7:55 pm
Arnaldo e Carla, obrigado pela visita. Também estou tentando linkar todos blogs, mas não estou conseguindo. Selecionei o Controle link para a Barra Lateral, inclui os endereços no Blogroll, atualizei e… nada. Vocês têm idéia de como fazer esta trolha funcionar?
Abril 20, 2007 às 9:25 pm
Ih, Beto, eu ia te sugerir fazer exatamente isso que você fez…
Maio 6, 2007 às 11:41 am
[...] prometi, postei as fotos do Café Paulista lá na matéria. Clique aqui e vá lá [...]
Maio 6, 2007 às 11:14 pm
Demais!!!