Portugal é um dos melhores lugares da Europa pra se viajar de carro. As distâncias não são grandes e as estradas, excelentes. Entre 98 e 2004 fomos várias vezes à terra de Cabral e fizemos algumas incursões ao norte e ao sul a partir de Lisboa, mais precisamente do Estoril, onde ficamos espetacularmente hospedados em casas de amigos e familiares.
Não tenho a pretensão de formular roteiros, tampouco posso dar altas dicas sobre onde comer e muito menos onde ficar, mas acho que as fotos e alguns comentários podem ajudar e incentivar quem planeja conhecer um dos mais antigos e conservados países do Velho Continente.
Nestas estadas em Lisboa, enquanto todos trabalhavam durante o dia, fazíamos incursões a alguns lugares a no máximo 1h30 de carro, de modos que, como diz a tia Manau, estávamos à noite em casa pra dividir o tinto, o chouriço, a sopinha, o Queijo da Serra amanteigado (e o curado também, mas isto é segredo de estado), a broa de milho e o calor da lareira e da amizade. Querem vida melhor?
A foto que abre este post é da Igreja São João Baptista, no centro de Tomar, cidade da região do Ribatejo, a 138 km de Lisboa. O caminho é a autoestrada que liga Lisboa ao Porto, a A-1, até a junção com a IP-6, que vai até a Guarda, na altura de Torres Novas. Aí seguimos as indicações para Almourol, pois queríamos conhecer o Castelo de Almourol, fortaleza romana que ocupa uma pequena ilha no leito do Rio Tejo.
Castelos, palácios, mosteiros e conventos centenários mexem com a imaginação e ligam os tempos. Ao menos para mim, são uma das mais fortes razões para eu gostar tanto de viajar pela Europa, sobretudo pelo interior e pelas pequenas cidades. Portugal é especialmente pródigo nessas construções, representativas de vários períodos históricos, e ao contrário do que acontece nos países vizinhos mais desenvolvidos, o viajante ainda não precisa disputar a cotoveladas com hordas de excursionistas uma nesga de paisagem pra fotografar. Em Almourol, um barqueiro faz a travessia dos turistas que querem entrar no castelo.
Outra característica intrigante de Portugal, certamente conseqüência do isolamento a que o país foi submetido pelos séculos de obscurantismo católico e pela longa ditadura salazarista, é que há lugares que parecem muito remotos, apesar de estar tudo ali, naquele retangulinho de 250 km x 650 km, a minutos, no máximo algumas horas, dos centros urbanos.
Perto de Almourol há outros pontos de interesse, como Torres Novas, com importantes ruínas romanas, e Golegã, onde acontece em novembro a Feira Nacional do Cavalo, que deve ser bem interessante. Não fomos à feira, porque só descobri agora a existência dela, fuçando o Guia da Folha, que substitui em caráter de emergência a ausência do Teco. De lá, fomos direto a Tomar, cerca de 30 km ao norte. A cidade foi fundada por cavaleiros templários, cruzados que ajudaram os lusitanos a expulsar os mouros do território que viria formar Portugal. O rio Nabão corta a cidade e à entrada estão os Lagares d’El Rei, onde funcionou até 2005 a Fundição Tomarense.
Tomar é uma jóia paisagística. O rio é bem tratado, contornado por grandes jardins.
A principal rua de Tomar é a Serpa Pinto (segundo o Guia da Folha), que aparece na foto abaixo. Ao fundo, dá pra ver com algum esforço uma pontinha do Castelo Templário, parte do conjunto formado também pelo Convento de Cristo, a principal atração turística da cidade, a que deixamos de ir por causa do horário, pois preferimos andar pela cidade.
Já no fim do dia, voltamos à praça da República, a principal de Tomar, onde está a Igreja de São João Baptista que abre este post. A foto abaixo foi feita no que se pode chamar de hora do rush.
Acho Portugal um destino espetacular. A comida é uma das melhores, mais variadas, fartas e baratas da Europa; a língua é amigável; o povo, caloroso e hospitaleiro; as distâncias são curtas e as diferenças regionais são notáveis. Há história, arquitetura, natureza e um singular modo de vida. O tradicional e o moderno convivem e dialogam intensamente, como em poucos lugares do mundo. E, ainda por cima, tudo isso nos explica, como brasileiros.








Escrito por Beto 







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