O dia em que Van Gogh teve uma epifania

Setembro 23, 2008

Vincent viu aquele campo pontilhado de papoulas vermelhas e falou pra quem tava do lado: “Me segura que eu vou ter um troço!”. E teve. Aconteceu de novo depois. Diante da roça a perder de vista de girassóis, o troço engrossou. Uma febre que só sarou com o suicídio, porque nem arrancar a orelha aliviou.

Cézanne, Matisse, Picasso, e quem mais ficou exposto àquela luz, aos azuis, lilazes, ocres, vermelhos e amarelões, aos rabiscos do vento e do sol varando sombras entre os galhos e folhas das árvores, também tiveram as suas epifanias. E se não tiveram, foi em busca delas que eles foram para lá e onde realizaram as suas melhores vidas.

Afinal, o que é que a Provence tem? Sempre ouvi dizer que era a luz. Varrida permanentemente pelo Mistral, um vento veloz que desce dos Alpes em direção a Marselha, a região tem o ar seco, límpido, com um clima ameno e um solo calcáreo poroso, onde a água penetra e se distribui generosa, alimentando plantações, florestas, ervas aromáticas e campos de flores coloridas e perfumadas.

A natureza sem o homem é quase uma natureza morta. São os usos e costumes, a presença humana na paisagem natural, que fez e faz da Provence um quadro pra ser pintado. De um jeito insano e incomum.

Quando vamos pra lá, buscamos o olhar varrido dos artistas meio doidos. Vamos pra provar da droga que produzimos em nosso laboratório cerebral, movido pelos cinco sentidos, e que não está sujeita à repressão moral ou policial. Vamos pra alucinar na real, sem risco de overdose. Ter as nossas epifanias.

A Isabel O., numa caixa de comentário, perguntou o que maionese tem a ver com viajar, pois eu, no último post, havia mencionado a relação entre o verbo e o substantivo. A Isabel é portuguesa e às vezes se perde nas diferenças de expressão do idioma. Pois bem, Isabel, viajar na maionese é o que fiz nesta introdução.

A razão toda da viagem patrocinada pela Hellman’s (homem do inferno?) é que vou falar de Saint Remy de Provence, onde Vincent Van Gogh viveu, internado como louco, e pintou o que via de dentro da sua esquizofrenia.

Na verdade, Saint Remy não vai aparecer, pois o dia era da Transhumance, uma festa folclórica de primavera, que representa a condução dos rebanhos de milhares de ovelhas para as terras altas nos Alpes, onde passam o verão. Hoje, os bichos vão na boa, acomodados em caminhões, mas antigamente iam camelando, se é que se pode dizer assim, conduzidos pelos pastores e seus cães.

A Transhumance em Saint Remy aconteceu no dia 12 de maio, uma segunda-feira, e era o único compromisso com data e hora marcadas da nossa excursão. Chegamos atrasados, é óbvio. Nos perdemos nos desvios para cruzar Cavaillon e quando chegamos todos partiam.

Vocês podem achar estranho, mas eu estava com vontade de ver ovelhas. Não é nenhuma espécie de perversão sexual, apenas um impulso infantil, daqueles que nos faziam saltar da cadeira pra ir à janela ver o elefante do circo, na caçamba de um caminhão, anunciar o maior espetáculo da terra.

Pois não havia uma única alma ovina nas ruas de St. Remy, cidade natal de Nostradamus.

Fomos encontrar a bicharada reunida numa colina fora da área urbana.

Além das ovelhas todas reunidas numa pessoa só, havia uma grande comemoração. Centenas de locais almoçavam ao ar livre, em mesas comunitárias.

Francês, como o europeu de um modo geral, adora comer ao vento. Não vi o menu, mas era churrasco, merguez, entrecôte. Contra todas as probabilidades inerentes a esse tipo de evento, não vi frango nem farofa.

Mas a idéia de amarrar o burro à sombra tava lá, numa representação escancarada do modo de vida provençal.

Ovelhas e carneiros sempre me pareceram a versão zoológica do Harpo Marx.

Mas elas são muito mais do que isso. São um povo unido.

Que berra por seus direitos…

… e adora tratamento vip como comida na boquinha.

Mas a grande vantagem de ser cordeiro, francês e de quatro patas, é  poder pastar livremente sem nunca ter corrido o risco de ouvir o Zé Rodrix se esgoelar em Casa no Campo

Antes que este post descambe de vez, é melhor mudar de assunto e voltar ao Van Gogh. Além de ter vivido talvez alguns dos piores dias de sua vida em Saint Remy, ali pertinho, em Les Baux de Provence, ele é até fevereiro de 2009 protagonista de uma exposição sensacional na Cathedrale d’Images, uma velha pedreira desativada em cujas entranhas são realizadas exposições audiovisuais magníficas, como o Jorge Bernardes, do Gira Mundo, já havia indicado há tempos num post em seu blog.

É, como disse o Jorge, uma atração imperdível da Provence.

 O espaço em si já vale a visita. São enormes galerias lavradas na rocha, em cujas paredes (e também no chão) são projetadas imagens, acompanhadas por música clássica. O ambiente é mesmo o de uma catedral, em que as projeções fazem a vez de afrescos.

A exposição de Van Gogh descreve a trajetória do pintor, com fotos e reproduções dos quadros.

É uma aula ilustrada das suas influências, das personagens de seus retratos, da fúria com que reproduzia as cores e os movimentos da natureza. É ao mesmo tempo uma realização impactante, que nos fez permanecer ali por mais de 1 hora, emendando duas seções seguidas.

Tenho relativa noção dos meus limites e vou poupá-los da tentação de escrever sobre o olhar de Van Gogh. É melhor pegar a estrada de volta pra casa. Não sem avisar que a exposição de 2009 na Cathedrale d’Images será sobre Picasso, outro morador apaixonado pela Provence.

O que será que eu tenho pra fazer em 2009? Quem sabe a resposta esteja na foto abaixo?

Clique nos títulos para outros posts sobre esta viagem, na ordem em que foram feitos

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No coração da alcachofra

Uma colza é uma colza

Entre o Loir e a Loire

No fim do arco-íris tem um Gigondas

Você já foi à Provence, nega? Não? Então vá


Você já foi à Provence, nega? Não? Então vá

Setembro 16, 2008

O mínimo de tempo para uma exploração decente da Provence, a partir do Luberon, é uma semana (ficamos  17 dias no Luberon e 10 no Var, mais ao sul). Não há hipótese de tédio. O bom do Luberon é a localização central, em relação ao resto da Provence, a paisagem natural e as vilas. O carro é essencial, mas há quem prefira bicicleta ou moto, depende do físico e do espírito de cada um. Dá pra fazer um roteiro com coisas novas todos os dias, por 30 dias, sem grandes pernadas rodoviárias. É o melhor lugar que conheço para passar férias.

As vezes que estivemos na região no passado foi por poucos dias. Sempre nos pareceu insuficiente. E agora, depois desta temporada mais longa, continuamos achando insuficiente. Não fomos ao norte de Avignon, nas costas do Rhône, Orange, Maison La Romaine. Ficou faltando a Alta Provence e os Alpes Marítimos, a Rota de Napoleão que vai até, ou passa em, Digne Les Bains. Deixamos de cumprir, por conta das distâncias e de chuvas impertinentes, planos de explorar melhor a região de Nice, Saint Paul de Vence, Biot, Grasse, lugares manjados, mas que têm bastante a contribuir para o nosso ócio ilustrado.

Em nosso primeiro fim de semana, programamos tiros curtos. No sábado foi a feira de Apt, domingo, a vez de L’Isle sur la Sorgue. De novo, uma feira.

L’Isle sur la Sorgue fica a 43 km de Cadenet, nossa base. É quase ao lado de Fontaine-de-Vaucluse, onde desta vez não fomos, pois lá estivemos em 98 e, acredite, não encontramos tempo para revisitar.

De manhã, a feira é de alimentos, roupas e artesanato. À tarde, antigüidades e tranqueiras em geral ficam expostas às margens da Sorgue.

Quando a feira da manhã se desfaz, fica melhor de ver a vila. E é aí que eu acho a Provence irresistível.

Tudo tem, pra usar uma expressão de bom tom, uma escala humana. Esqueça a brutalidade urbana. Os contrastes cinza.

Pode parecer idiota, mas dá pra viajar numa janela…

 … numa porta…

… numa rua..

… no avesso da mesma rua!

O rio é o coração do lugar. Limpo, claro, marrecos fofinhos nadando pra lá e pra cá. Águas de moinho velho.

Tínhamos uma indicação de procurar um lugar chamado Partage des Eaux, onde encontraríamos um restaurante bom e barato para almoçar. Mac Donald, na Provence, nem morto. Mac-Coumba, só depois de morto, ou mais seguramente, morto depois de comer. Evitei fotografar a lanchonete do macumbeiro, mas posso garantir que, ali, o despacho é você. O exotismo é garantido.

De carro, viramos a primeira rua à direita depois da ponte e fomos ao local indicado.

Barquinho vai, barquinho vem, fomos de bife com fritas e salada, no Le Pescador au bord de la rivière. 

Como a Teté não pára quieta, e era primavera, ela achou essas rosas enquanto esperávamos o bife.

Todo turista paga um mico na hora de tirar retrato.

Neste caso, pagamos dois. 

Quando a gente viaja, é muito comum incluirmos a maionese no trajeto. Foi o que aconteceu quando paramos defronte a essas casas à beira do rio e ficamos viajando na dita cuja. Você também queria ter uma? Pras férias de julho? Por que não?

Dali, iríamos a Oppede Le Vieux, passar a tarde. Era no nosso caminho de volta, numa das estradinhas do Petit Luberon.

A chuva no entanto fez a gente mudar os planos.

Foi uma passagem relâmpago. Entramos na vila com chuvisco… 

 Que foi engrossando.

 Até virar uma tempestade, não devidamente documentada, devido ao espanto.

Não chegamos a parar o carro, procuramos a primeira saída e, depois de andar em círculos por uns 20 minutos, achamos o caminho para Bonnieux. Que durante toda a nossa estada cruzaria os nossos caminhos. Bonnieux tá bem no meio da serra do Petit Luberon, na face norte da montanha (Cadenet fica na face sul).

Bonnieux é inconfundível por causa dos campanários das suas igrejas.

E pelos telhados terracota em contraste com o verde do vale abaixo.

É uma velha cidade medieval, turística, mas que preserva o típico modo de vida provençal.  

 

Um cartaz anunciava um concerto de um duo naquela noite, na igreja do alto. No programa, Tom Jobim. Não fomos, mas gostaríamos de ter ido. Mas tínhamos que voltar a tempo de jantar com os nossos amigos de Cadenet. Antes, passamos por Lourmarin.

Avistamos uma roseira. 

E antes que o sol se pusesse de vez, fizemos um close de uma rosa.

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No fim do arco-íris tem um Gigondas


No fim do arco-íris tem um Gigondas

Setembro 2, 2008

Eu gosto do cheiro, da cor, do sabor e do nome Gigondas. E não é por qualquer razão racional, por uma preferência resultante de algum conhecimento específico, pois nada entendo de vinhos e pra mim a maioria dos Côte du Rhone - Vacqueyras, Gigondas ou Chateauneuf du Pape - são bons o bastante pra eu não saber dizer se tem vinho melhor por aí, e deve ter, porque o barato do vinho é que sempre pode ser diferente.

Na verdade, gostar do Gigondas não foi uma escolha que eu tenha feito. A primeira garrafa, sem rótulo ou marca na rolha, foi trazida da Provence pela minha… como direi… carametade, quando era apenas um quarto da minha cara. 

Foi um presente dela pra mim, contrabando originado dos amigos provençais, que compram o vinho diretamente do produtor, aos galões, para engarrafar em casa. Cada garrafa dessas sai a uns 2 ou 3 euros e contém o mesmo líquido pelo qual pagam por aí umas vinte vezes mais, ou mais, o que o torna ainda mais valioso (sei que a idéia é confusa, mas estou certo de que me entendem).

Mas o que eu ia dizendo, é que ter uma garrafa de Gigondas à nossa espera ao fim de uma viagem de carro de quase 800 km é como alcançar um tesouro no fim do arco-íris. Cada um com o seu tesouro e o seu arco-íris. Falou arco-íris?

Feira de Apt, vila situada entre duas cadeias de montanhas, o Petit e o Grand Luberon, na região do Vaucluse, Provence, sábado da primeira manhã depois do Gigondas de boas vindas. Adentrávamos ao gramado em nossa jornada provençal num dia de sol brilhante de primavera, justamente num dos ambientes que mais nos apetece, que é o das feiras livres e esta é uma das favoritas sempre que o título do campeonato mundial está em jogo.

Entramos pela seção de tecidos, almofadas, cortinas, colchas, bordados, panos de mesa, armarinhos, roupas e calçados. Tudo lindamente provençal, ainda que grande parte seja confecionada na região da Provence chamada Côte Chinoise, ao sul de Beijing .

Graças a deus os chineses ainda não aprenderam a fazer chouriços. Então estamos seguros de que os embutidos são legitimamente franceses (e alguns espanhóis), feitos, em sua assombrosa variedade, das melhores e das piores partes de porcos, cabras e ovelhas. É o produto do terroir, um dos mais felizes e sofisticados conceitos de produção agrícola, em que a qualidade é determinada pela cultura, que o produto expressa e perpetua em constante evolução. Fazer sempre, do mesmo jeito e melhor, segundo padrões locais.

É lindo! Um manifesto espetacular a favor da diversidade… dos salsichões. Isso deve dizer alguma coisa a respeito de uma sociedade.

Já havíamos ouvido um belo discurso de um produtor de cogumelos, numa visita a uma imensa cave de cultivo no Vale do Loire, a respeito das vantagens dos ambientes menos assépticos sobre outros muito controlados. A diversidade biológica, segundo o cogumeleiro, fortalece as espécies, enquanto o contrário torna-as mais vulneráveis à contaminação. O culto à diversidade está entranhado na cultura francesa, das centenas de tipos de queijos, combinações de uvas viníferas, produtos comestíveis (lesmas, vísceras, fungos), às artes, filosofias e políticas.

Antes que alguém me atinja com um tomate, derrubando-me da nuvem do meu delírio francófilo com exemplos da intolerância e do racismo franceses, levanto uma barricada de maravilhosos legumes da feira de Apt. Alcachofras, cebolinhas e ciboulettes, rabanetes, échalottes, ervilhas macarrão e tortas, tomates de vários tipos para vários fins (inclusive, alvejar excessos do redator).

Para nossa felicidade, maio, além das flores, é o mês das safras dos morangos e das cerejas, gordas, rubras, quase negras quando estão no ponto.

Maio é também tempo do aspargo… cujo nome já carrega um arg! Sei, vão dizer, que é alimento fino, civilizado. Fomos brindados com vários almoços à base de asp-arg!-os cozidos. A gente come a ponta e rastela com os dentes o resto de polpa aderida ao cabo mais escuro e fibroso. Aprendi olhando nossos anfitriões, naquele estranho prazer. Gosto de vegetais, mas acho aspargo, como diria o Luís Fernando Veríssimo (A Mesa Voadora), um troço meio salsinha.

Mas, na França, aja como os franceses: faça pose ao lado dos legumes. A Provence é a terra deles (dos legumes… e dos franceses, por que não?).

Num patamar semelhante ao dos legumes, estão os cães, tratados obviamente em toda a França como qualquer outro ser humano.

Vocês sabem o fascínio que  bolsas e sacolas exercem sobre o sexo feminino. A foto abaixo é em homenagem à minha mulher, que fez esta e outras fotos do post, e à diversidade das sacolas de feira, essa minoria tão discriminada no Brasil. Em breve, todas, e todos, terão uma, com a inevitável aposentadoria dos sacos plásticos, excomungados pelo pensamento ecologicamente correto.

A minha mulher é louca por bolsas e cestas - normal -, e por decoração, artesanato, objetos diferentes. Só não trouxe os porcos espinhos da foto abaixo, versões de capacho, porque eles deviam pesar uns 3 quilos cada um. Trouxe a foto, que não pesou mais do que 2 megas.

Francês tem fama de pouco banho e de exalar uma certa catinguinha. Mas sabe fazer um sabonete como ninguém. O sabão de Marselha está entre os melhores. Pensando bem, olhando esses sabonetes, eles são tão decorativos que parecem ter sido feitos só pra deixar o banheiro perfumado e colorido.

A feira de Apt também tem flores…

… e como em qualquer outra tem também o vendedor de alho. Uma dúvida: alho pode ser bonito?

Frutas cristalizadas são a especialidade de Apt. Eles dizem que são as melhores… E isso também é uma característica francesa: toda cidade tem uma especialidade. Marron glacé, cerâmica, trabalhos em fibras vegetais, porcelana, perfume, sabão, queijo. Vinho, tem em todas.

Pistache e outras sementes salgadas eles não fazem, mas comem quase todos os dias, junto com o aperrô (apelido carinhoso do aperitivo que antecede, religiosamente, a principal refeição do dia).

A Provence é a maior produtora de azeitonas da França. Mas no mercado, além das locais, você encontra também de outras procedências: gregas, italianas, espanholas, do norte da África. Curtidas, no azeite, temperadas com anchovas e/ou pimentões, apimentadas, incendiárias.

E o sagrado óleo de oliva é vendido a granel. Imaginem isso aqui, na feira de sábado, perto de casa. Abateríamos as altas taxas de colesterol com overdoses seguidas do mais puro ômega 3 e manteríamos nossas artérias lubrificadas com os mais viscosos ácidos graxos poli-insaturados que brotam da terra.

Todos já ouviram falar em ervas da Provença. Ou nas herbs de Provence, que vêm a ser a mesma pessoa. Pois desta vez descobri por que chamam tomilho, alecrim e outras de ervas da Provença. É o capim barba de bode, a tiririca de lá. Dá em toda parte. Todo mato que você pisa tem um cheirinho bom. E um nome bonito. Serve pra temperar o porco, salpicar um ovo frito, ou fazer um tisane, como eles chamam as infusões e que nós, barbaramente, enfeixamos tudo como chá.

Se para cada prato tem uma erva adequada, tem também um vinagre apropriado. Um não. Um arco íris de vinagres.

Empanturrado? Na França, nunca esqueça de deixar um espaço para os queijos. Confesso que não consigo me acostumar a comer queijos depois de almoçar e jantar. Mas é o que os franceses, e gente fina que adora parecer francesa, fazem. Eu não. Eu como antes, no aperrô, como fizeram os tupinambás antes de servir o bispo Sardinha.

Como queijo pede pão, taí o pão da feira. Alguém já viu pão assim no Brasil? Se viu, por favor, deixe o endereço na caixa de comentários. O blogueiro e os blogados agradecerão de joelhos.

Como toda feira, a de Apt é também uma festa. De gente de todo tipo, da terra e turistas, da França e do mundo.

Têxteis, horti-frutis e produtos artesanais oferecem cores, texturas e perfumes pra deixar todo mundo doido, finalidade básica de toda festa.

Como todo mundo sabe, não há festa sem música. Eu até pensei de início que houvesse um aparelho de som no máximo em alguma loja dobrando a esquina. Rolava um jazz traditional, aquele de New Orleans. A surpresa veio ao dobrar a esquina. Os caras tocavam muito, no maior embalo, um grupo do cacete, divertindo e se divertindo com o bom e velho rock’n roll, ainda que fosse jazz.

Satisfeitos, felizes, ainda nos esperava uma surpresa no caminho até o estacionamento onde havíamos largado o carro. O trompe l’oeil arrancou um sorriso.