O mínimo de tempo para uma exploração decente da Provence, a partir do Luberon, é uma semana (ficamos 17 dias no Luberon e 10 no Var, mais ao sul). Não há hipótese de tédio. O bom do Luberon é a localização central, em relação ao resto da Provence, a paisagem natural e as vilas. O carro é essencial, mas há quem prefira bicicleta ou moto, depende do físico e do espírito de cada um. Dá pra fazer um roteiro com coisas novas todos os dias, por 30 dias, sem grandes pernadas rodoviárias. É o melhor lugar que conheço para passar férias.
As vezes que estivemos na região no passado foi por poucos dias. Sempre nos pareceu insuficiente. E agora, depois desta temporada mais longa, continuamos achando insuficiente. Não fomos ao norte de Avignon, nas costas do Rhône, Orange, Maison La Romaine. Ficou faltando a Alta Provence e os Alpes Marítimos, a Rota de Napoleão que vai até, ou passa em, Digne Les Bains. Deixamos de cumprir, por conta das distâncias e de chuvas impertinentes, planos de explorar melhor a região de Nice, Saint Paul de Vence, Biot, Grasse, lugares manjados, mas que têm bastante a contribuir para o nosso ócio ilustrado.
Em nosso primeiro fim de semana, programamos tiros curtos. No sábado foi a feira de Apt, domingo, a vez de L’Isle sur la Sorgue. De novo, uma feira.
L’Isle sur la Sorgue fica a 43 km de Cadenet, nossa base. É quase ao lado de Fontaine-de-Vaucluse, onde desta vez não fomos, pois lá estivemos em 98 e, acredite, não encontramos tempo para revisitar.
De manhã, a feira é de alimentos, roupas e artesanato. À tarde, antigüidades e tranqueiras em geral ficam expostas às margens da Sorgue.


Quando a feira da manhã se desfaz, fica melhor de ver a vila. E é aí que eu acho a Provence irresistível.
Tudo tem, pra usar uma expressão de bom tom, uma escala humana. Esqueça a brutalidade urbana. Os contrastes cinza.

Pode parecer idiota, mas dá pra viajar numa janela…

… numa porta…

… numa rua..

… no avesso da mesma rua!
O rio é o coração do lugar. Limpo, claro, marrecos fofinhos nadando pra lá e pra cá. Águas de moinho velho.

Tínhamos uma indicação de procurar um lugar chamado Partage des Eaux, onde encontraríamos um restaurante bom e barato para almoçar. Mac Donald, na Provence, nem morto. Mac-Coumba, só depois de morto, ou mais seguramente, morto depois de comer. Evitei fotografar a lanchonete do macumbeiro, mas posso garantir que, ali, o despacho é você. O exotismo é garantido.
De carro, viramos a primeira rua à direita depois da ponte e fomos ao local indicado.
Barquinho vai, barquinho vem, fomos de bife com fritas e salada, no Le Pescador au bord de la rivière.
Como a Teté não pára quieta, e era primavera, ela achou essas rosas enquanto esperávamos o bife.
Todo turista paga um mico na hora de tirar retrato.

Neste caso, pagamos dois.
Quando a gente viaja, é muito comum incluirmos a maionese no trajeto. Foi o que aconteceu quando paramos defronte a essas casas à beira do rio e ficamos viajando na dita cuja. Você também queria ter uma? Pras férias de julho? Por que não?

Dali, iríamos a Oppede Le Vieux, passar a tarde. Era no nosso caminho de volta, numa das estradinhas do Petit Luberon.
A chuva no entanto fez a gente mudar os planos.
Foi uma passagem relâmpago. Entramos na vila com chuvisco…
Que foi engrossando.
Até virar uma tempestade, não devidamente documentada, devido ao espanto.
Não chegamos a parar o carro, procuramos a primeira saída e, depois de andar em círculos por uns 20 minutos, achamos o caminho para Bonnieux. Que durante toda a nossa estada cruzaria os nossos caminhos. Bonnieux tá bem no meio da serra do Petit Luberon, na face norte da montanha (Cadenet fica na face sul).
Bonnieux é inconfundível por causa dos campanários das suas igrejas.
E pelos telhados terracota em contraste com o verde do vale abaixo.
É uma velha cidade medieval, turística, mas que preserva o típico modo de vida provençal.

Um cartaz anunciava um concerto de um duo naquela noite, na igreja do alto. No programa, Tom Jobim. Não fomos, mas gostaríamos de ter ido. Mas tínhamos que voltar a tempo de jantar com os nossos amigos de Cadenet. Antes, passamos por Lourmarin.
Avistamos uma roseira.
E antes que o sol se pusesse de vez, fizemos um close de uma rosa.
Clique nos títulos para outros posts sobre esta viagem, na ordem em que foram feitos
Baratas tontas zanzam pelas ruas de Paris

















































Setembro 17, 2008 às 8:04 am
É meu irmão o peixe voador pode ver a linha do horizonte por cima, não precisa ficar de ponta de pé para olhar o que tem atrás do muro.
Setembro 17, 2008 às 8:14 am
Que sítios deliciosos!
Felizmente ainda temos muita coisa para ver e ocupar os tempos livres.
Um abraço
Toni
Setembro 17, 2008 às 8:41 am
Beto, nossa que post lindo!!!!!! Daqui menos de 15 dias estarei lá na Provence e já fiquei “viajando na maionese” aqui, imagina por lá!!!!! rs
Setembro 17, 2008 às 10:58 am
Pois é não estarei daqui há 15 dias por lá, mas como tive o prazer de ver de perto alguns destes lugares consegui me transportar mais uma vez…
E pela milésima vez pensar… Como pode alguém morar num lugar como este? Será que alguém por ali sofre de stress? Tem agência de publicidade na Provence? Em quanto tempo se aprende francês?
Setembro 17, 2008 às 12:28 pm
Sem palavras Beto
Simplesmente MÁGNIFICO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Setembro 17, 2008 às 2:02 pm
Beto, lindão!
PS: Só pra esclarecer: lindão é o post, não é você, não, ok?
Setembro 17, 2008 às 2:38 pm
Beto, a cada vez que venho ler esses posts eu confirmo que estou precisando urgentemente de uma overdose de Provence…
Mudando um tantinho de assunto, mas pegando carona no seu texto: já reparou que quanto mais a gente vai a um lugar menos tempo tem pra fazer tudo o que gostaria?
Setembro 17, 2008 às 4:47 pm
Excelente post!!! Beleza do lugar.
A Provence é bela, mas o olho de você faz pura poesia em imagens. Um lugar tão lindo não pode existir, não pode ser verdade. É certo? Respira sossego, tranquilidade as rosas, a retama, o rio, as janelas, os campanários, as ruas, os povos, os caminhos…
Delicioso post!!! Um luxo simple. Parabéns.
Setembro 17, 2008 às 6:45 pm
Acho que me estou a repetir mas tenho achado esses seus posts franceses o máximo.
E ponho-me a pensar se tem muita lógica já ter feito duas viagens compridinhas (dentro do padrão europeu – 15 e 18 dias) ao Brasil e ter aqui ao lado sítios que são mesmo a “minha cara” (como se diz por cá) e não conhecer.
Problema de tradução – o que é que a maionese tem exactamente a ver com viajar? Escapou-me qualquer coisa.
Setembro 17, 2008 às 9:35 pm
Isabel
viajar na maionese é uma expressão non sense pra dizer que se está devaneando. Quando se viaja na maionese, fica-se normalmente pra lá de Bagdá, entendeu? Bjs
Setembro 18, 2008 às 9:15 am
Nossa, que lugar encantador, queria sair agorinha de onde estou e me teletransportar para lá (risos!).
E aquelas casinhas do ladinho do rio… sonho de consumo, né?!
Adorei o post
abs
Setembro 18, 2008 às 5:31 pm
Obrigada…
Deve ser bom viajar assim.
Eu acho que estou sempre com tudo muito programadinho demais porque o tempo não estica e eu quero ver iMEEEENNNso!…
Não deve ser muito boa ideia. Mas as profisssões familiares também não permitem esticadas grandes.
Setembro 24, 2008 às 10:50 am
Eu fui, adorei e pretendo ir de novo…
Aliás, quando eu for de novo, pretendo igualmente esticar até Mônaco. Vocês foram?
Setembro 24, 2008 às 12:21 pm
Arnaldo, desta vez não fomos. Mônaco não é exatamente a nossa praia não. A não ser nas tuas fotos
Novembro 1, 2008 às 10:54 am
Adorei as fotos
Eu lembro que a primeira vez que fui a Paris, parei em uma pracinha pequenina, com arcos de rosa trepadeira, os cachos pendiam pesados, e a garoa espalhava o perfume das rosas. Meu Deeeus, que perfume, enfiei a cara nos cachos que não sei como não aspirei um besouro francês. Foi o meu dia do “mico”, minha mãe queria ir na Notre Dame, pela enésima vêz, fotografar os vitrais para sua coleção, e eu não queria largar as rosas. Que perfume
Ps. Pq será que as rosas daqui não tem perfume?
Julho 3, 2009 às 6:31 pm
Olá, Beto e Teté!
Foi muito bom encontrá-los no Veridiana!
Visualizei o que Teté me passou naquele dia sobre Provence… adorei! Vamos planejar uma destas tb e com certeza, precisaremos destas dicas preciosas!
Abs
Ana
Julho 5, 2009 às 8:12 pm
Nossa!!!!!!
Encantada, vou para região de Provence em 1 mês.
E ja estou pensando no roteiro de feiras, hehe
sou nutricionista e creio que vou estar no paraíso da alimentação saudável e variada;
Adorei
Agosto 20, 2009 às 3:19 pm
Olá Beto!!!
Amei o seu blog!!!! PARABÉNS!!!
Estou encantada com as suas fotos da Provence…
E estou pensando em passar minha lua de mel por lá em Novembro, mas estou na duvida pq será outono e não encontro muitas informações se essa é uma época bacana de se visitar…
Vc sabe alguma coisa?
Obrigada
Milla
Agosto 21, 2009 às 10:14 am
Millapuoli, não sei se novembro é uma boa época na Provence. Estive na região 3 vezes, na primavera e no verão. No outono, você não encontrará os campos floridos e é possível que faça frio. Faça uma busca nos sites locais para checar o que eles falam do período. Obrigado pela visita e boa viagem.
Agosto 24, 2009 às 5:18 pm
Obrigada pela dica Beto!!!!!