Por que me ufano da minha ratatouille

Agosto 28, 2009

ratatouilleFoto do Vinícius
Ratatouille é um prato provençal cheio de abobrinhas, portanto tinha tudo pra virar uma especialidade minha. Há anos venho testando modos de prepará-la e prestando atenção nas várias maneiras que já vi virem à mesa. Em algumas os legumes vêm bem miúdos, em cubinhos de menos de 1 cm, em outras os vegetais são cortados em rodelas ou gomos, com tempero agridoce (na verdade, é assim na caponata, a versão italiana do prato), com as berinjelas e abobrinhas passadas na grelha, na caçarola ou assadas ao forno.

O principal desafio de um blogueiro como eu é vencer o medo do ridículo. Portanto, não é sem alguma vergonha que vou usar o terreno baldio em que vem se transformando este blog para dar uma receitinha.

Não sou cozinheiro, mas como quase todo mundo hoje em dia adoro um avental. Quem cozinha bem é a minha mulher. Eu descasco batatas, desfolho cebolas e esquartejo alhos sem qualquer categoria. Como todo homem moderno, faço o nome em cima do macarrão Barilla, risotos e outras enganações. Quando entro em pânico, grito o nome da minha mulher, sempre pronta a impedir ou reparar o desastre iminente.

Isto posto, não leve a mal (eu só quero, que você me queira).

Ratataouille do Beto (6 pessoas)

Ingredientes:

1 kg de abobrinhas (as melhores são as que têm poucas sementes, orgânicas) cortadas em rodelas de 1 cm

1 kg de miniberinjelas cortadas em rodelas de 1 cm

1 pimentão amarelo, 1 vermelho e 1 verde (grandes)

2 caixinhas de cogumelos (prefiro paris, mas vai do gosto) sem cabos e cortados em lâminas não muito finas

5 cebolas grandes (o melhor é o equivalente em minicebolas) cortadas em gomos ou, no caso das mínis, ao meio na horizontal.

1 cabeça de alho cortado em pedaços não muito finos nem pequenos

4 ou 5 tomates italianos (prefiro o equivalente em minitomates italianos) cortados em gomos, sem sementes

um punhado generoso de algum tipo de amêndoa: caju, pinole, nozes e até castanha do pará (a que você gostar mais)

um punhado generoso de uvas passas brancas (hidratá-las em água fria durante uma ou duas horas)

um punhado de azeitonas pretas (eu deixo com o caroço, mas há quem prefira as descaroçadas)

ervas em abundância – manjericão, salsa, cebolinha, orégano e tomilho frescos, hortelã e o escambau (se tiver na sua horta)

vinho branco (não pode ser uma porcaria de vinho, um chardonnay concha y toro tá bom)

azeite (virgem pra refogar, extravirgem para regar)

sal

pimenta moída na hora (com parcimônia)

Modo de preparo:

1 – Salgar as fatias de abobrinhas e berinjelas e deixá-las suar sobre papel toalha, durante uma hora pelo menos. Enxugá-las e dourá-las no forno em assadeira untada com azeite.

2 – Numa frigideira grande, refogar no azeite, o alho e as cebolas, até que estas estejam caramelizadas, com cuidado para não queimar o alho (controlando a temperatura). Assim que as cebolas estiverem ligeiramente douradas, juntar os cogumelos, meio copo de vinho branco, sal e pimenta a gosto. O cogumelo vai soltar líquido, quando começar a secar, tá bom.

3 – Pelar os pimentões (um saco: passar direto na chama do fogão, queimando a pele – do pimentão, de preferência, não a nossa-, passar em água fria e retirar a pele numa tarefa extremamente enfadonha para o meu grau de destreza). Depois de pelados e limpos, cortar os pimentões em tiras nem muito finas, nem muito grossas, segundo o sistema métrico decimal.

3 – Montar numa travessa que vá ao forno, em camadas, as porções alternadas de tomates, berinjelas, abobrinhas, pimentões (misturando as cores), uvas passas, azeitonas e amêndoas, cobrindo com o refogado de cebolas e cogumelos, salpicando cada camada com as ervas. Assim sucessivamente, de modo a formar ao menos 3 camadas.

4 – Deixar no forno até 10 minutos (no mesmo sistema métrico decimal referido acima) depois que o azeite começar a ferver.

5 – Enfeite com ramos de tomilho e um fio de azeite extravirgem.

6 – Sirva com um pão que mereça este nome, ou com carne, peixe ou ave, grelhados ou assados.

Um vinho branco e um rosé, se for comer como entrada ou aperitivo, mas fica uma maravilha com um tinto se rolar uma carne.

Se não der certo, tentem até dar. E não me responsabilizem pelas vaias. O problema é vosso de seguir uma receita minha.