Foto do Vinícius
Ratatouille é um prato provençal cheio de abobrinhas, portanto tinha tudo pra virar uma especialidade minha. Há anos venho testando modos de prepará-la e prestando atenção nas várias maneiras que já vi virem à mesa. Em algumas os legumes vêm bem miúdos, em cubinhos de menos de 1 cm, em outras os vegetais são cortados em rodelas ou gomos, com tempero agridoce (na verdade, é assim na caponata, a versão italiana do prato), com as berinjelas e abobrinhas passadas na grelha, na caçarola ou assadas ao forno.
O principal desafio de um blogueiro como eu é vencer o medo do ridículo. Portanto, não é sem alguma vergonha que vou usar o terreno baldio em que vem se transformando este blog para dar uma receitinha.
Não sou cozinheiro, mas como quase todo mundo hoje em dia adoro um avental. Quem cozinha bem é a minha mulher. Eu descasco batatas, desfolho cebolas e esquartejo alhos sem qualquer categoria. Como todo homem moderno, faço o nome em cima do macarrão Barilla, risotos e outras enganações. Quando entro em pânico, grito o nome da minha mulher, sempre pronta a impedir ou reparar o desastre iminente.
Isto posto, não leve a mal (eu só quero, que você me queira).
Ratataouille do Beto (6 pessoas)
Ingredientes:
1 kg de abobrinhas (as melhores são as que têm poucas sementes, orgânicas) cortadas em rodelas de 1 cm
1 kg de miniberinjelas cortadas em rodelas de 1 cm
1 pimentão amarelo, 1 vermelho e 1 verde (grandes)
2 caixinhas de cogumelos (prefiro paris, mas vai do gosto) sem cabos e cortados em lâminas não muito finas
5 cebolas grandes (o melhor é o equivalente em minicebolas) cortadas em gomos ou, no caso das mínis, ao meio na horizontal.
1 cabeça de alho cortado em pedaços não muito finos nem pequenos
4 ou 5 tomates italianos (prefiro o equivalente em minitomates italianos) cortados em gomos, sem sementes
um punhado generoso de algum tipo de amêndoa: caju, pinole, nozes e até castanha do pará (a que você gostar mais)
um punhado generoso de uvas passas brancas (hidratá-las em água fria durante uma ou duas horas)
um punhado de azeitonas pretas (eu deixo com o caroço, mas há quem prefira as descaroçadas)
ervas em abundância – manjericão, salsa, cebolinha, orégano e tomilho frescos, hortelã e o escambau (se tiver na sua horta)
vinho branco (não pode ser uma porcaria de vinho, um chardonnay concha y toro tá bom)
azeite (virgem pra refogar, extravirgem para regar)
sal
pimenta moída na hora (com parcimônia)
Modo de preparo:
1 – Salgar as fatias de abobrinhas e berinjelas e deixá-las suar sobre papel toalha, durante uma hora pelo menos. Enxugá-las e dourá-las no forno em assadeira untada com azeite.
2 – Numa frigideira grande, refogar no azeite, o alho e as cebolas, até que estas estejam caramelizadas, com cuidado para não queimar o alho (controlando a temperatura). Assim que as cebolas estiverem ligeiramente douradas, juntar os cogumelos, meio copo de vinho branco, sal e pimenta a gosto. O cogumelo vai soltar líquido, quando começar a secar, tá bom.
3 – Pelar os pimentões (um saco: passar direto na chama do fogão, queimando a pele – do pimentão, de preferência, não a nossa-, passar em água fria e retirar a pele numa tarefa extremamente enfadonha para o meu grau de destreza). Depois de pelados e limpos, cortar os pimentões em tiras nem muito finas, nem muito grossas, segundo o sistema métrico decimal.
3 – Montar numa travessa que vá ao forno, em camadas, as porções alternadas de tomates, berinjelas, abobrinhas, pimentões (misturando as cores), uvas passas, azeitonas e amêndoas, cobrindo com o refogado de cebolas e cogumelos, salpicando cada camada com as ervas. Assim sucessivamente, de modo a formar ao menos 3 camadas.
4 – Deixar no forno até 10 minutos (no mesmo sistema métrico decimal referido acima) depois que o azeite começar a ferver.
5 – Enfeite com ramos de tomilho e um fio de azeite extravirgem.
6 – Sirva com um pão que mereça este nome, ou com carne, peixe ou ave, grelhados ou assados.
Um vinho branco e um rosé, se for comer como entrada ou aperitivo, mas fica uma maravilha com um tinto se rolar uma carne.
Se não der certo, tentem até dar. E não me responsabilizem pelas vaias. O problema é vosso de seguir uma receita minha.
Agora sim! O verdadeiro Beto que eu não conhecia!
Essa foto tá um escândalo de tão gostosa!
Beto, se tudo isso que você escreveu for verdade, então, meus parabéns! Já tá escalado para pilotar o fogão aqui em Vermont quando vierem nos visitar, ok?
Abraços e beijos para tu e Teté
Oi Beto,
Adoreiiiii a receita e mais ainda a maneira divertida com a qual nos deu os detalhes para prepara-la. Gostei tanto que gostaria de publica-la no meu blog se nao houver nenhum problema nisso. Fico aguardando a sua resposta. Um abraço!
Zé, a foto tava mesmo gostosa, posso garantir, porque a comi. Quanto a ser verdade o que eu escrevi, vai saber, né Zé? E trata bem do fogão, porque a gente demora mas não tarda. Abraços e beijos de volta pra ti e prá Débora. Adoramos conhecê-los.
Ana, fica à vontade, vai ser uma honra se você publicar a receita no seu blog. Se deus ouvir as minhas preces, nos conheceremos em Aix. Beijo
Porra, Beto! Acabei de almoçar mas só a vista do teu ratatouille me deixou outra vez com fome!
Mas temos que passar à prática, vou pôr a Nanita a testar a receita. Depois comento.
Abraços
Beto,
Gosto muito do seu blog. É divertido, informativo e saboroso! Venho sempre aqui e o indico como um dos meus preferidos. Parabéns!
Angela
Olá Beto
Pensei imenso em si lá por França e por não ter conseguido seguir os seus passos e ir a Lavardin e ao Loir (masculino). (Também enfiei quatro regiões numa só viagem!…)
Ao ver a sua receita, e como também faço muitas coisas deste tipo, apreciadora-mor de cozinha mediterrânica, com um pézinho no vegeterianismo, lembrei-me de lhe enviar esta receita. Pode ser feita com vários ingredientes, mas o que lhe dá graça é a disposição às rodelinhas, organizadas por cores.
http://nosoup-foryou.blogspot.com/2009/06/ratatouille-nicoise.html
Desde que comprei uma Bimby (uma máquina de cozinha que aí deve ter outro nome), e porque me apetece fazer coisas fiferentes, tenho conhecido blogues de culinária muito engraçados.
Beijinhos
Isabel, obrigado pela receita nova, parece ótima. Beijinhos pra você também.
Angela, obrigado pela visita e pelas indicações. Abraço.
Adoro seu blog! Sempre fico com aquele risinho bobo olhando para a tela do computador, que ninguém entende, quando passo por aqui! Saudades!
E o ratinho? Ah, esqueci, vc tem um gato em casa, então o pobre ratinho “chef” já era…
É, a foto do seu ficou bonita mesmo. Meu marido também faz um ratattouille delicioso. A receita dele está aqui: http://pitaconacozinha.blogspot.com/2009/11/ratattouille.html
Abs
Betooo, pode se ufanar a vontade, porque é boa pra caramba!