Baby Consuelo sim, por que não?

As primeiras vezes que fui ao Rio, passei perto dos Novos Bahianos, que na época andaram pedindo esmolas no Jardim de Alah. Eles tinham um sítio, acho que em Jacarepaguá, em que tinha um pote onde todo mundo punha dinheiro quando entrava, e tirava o que precisava. É lógico que o pote devia viver vazio. Mas essa piração durou um tempo, o suficiente pra que eles produzissem a mais brilhante fusão entre a música pop da época, o rock mais radical que se fazia no final dos 60 e início dos 70, com a tradição do pop brasileiro, igualmente radicalizado pelo João Gilberto e a sua bossa nova. 

YouTube é uma maravilha. Aonde veríamos estas imagens? Talvez agora, pós-YouTube, e porque a Trama está reeditando alguns programas do Fernando Faro,  elas sejam recuperadas e vendidas em dvd. Eu compro na hora. É a hora exata em que a música brasileira, eu digo o samba, entra de sola no rock. Vai saber o que isso representa, mas foi aí que eu passei a gostar de samba, embora já gostasse. Há também imagens do documentário Novos Bahianos Futebol Clube, do Solano Ribeiro, um dos diretores de programas musicais da antiga TV Record. Não se fazem mais clipes como no tempo em que ainda não havia vídeoclipe nem MTV.

Assis Valente virava pra mim um nome. E o Brasil, um pandeiro.

E eu me peguei gostando de zabumba. Violão e cavaquinho. Chocalho.

Eu que sempre fui e sempre serei um pé duro, representante da raça, tô lá descendo no samba a ladeira da praça.

Caymmi com Jimi Hendrix? Cê acha que dá?

E a menina dança.

E por isso o meu coração bate num teleco-teco, telecotecotelecotecotelecotecotelecoteco…

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Sobre Beto Paschoalini

É o que dizem por aí.
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11 respostas para Baby Consuelo sim, por que não?

  1. oanodalargartixa disse:

    Concordo em gênero, número, grau e em mais algumas coisas.
    Os Novos Bahianos foram uma experiência única.
    Foram o “desbunde” (alguém ainda usa essa palavra?) logo na seqüência do Tropicalismo, que, apesar de tudo, ainda era um troço bem intelectualizado.
    Novos Bahianos, não.
    Eram ferro na boneca!
    E no gogó nenem!
    http://oanodalargartixa.wordpress.com/

  2. Marcel Alcantara disse:

    Achei muito foda esse post dos Novos Bahianos!
    Como é que eu faço para achar o vídeo do safári no YouTube?

    Abraço.

    Marcel

  3. Marcel Alcantara disse:

    Desculpa, eu nem me apresentei, sou do Rio de Janeiro e achei o seu blog na página do Riq!

  4. Beto disse:

    O vídeo do safári, Marcel, você encontra aqui

    Obrigado pela visita e um abração

  5. Marcio disse:

    Belo resgate, sensacional o post!!!

    Abs!

  6. Diogo disse:

    Irado Beto! Irado mesmo…

    E dá-lhe iútúbio nessa página hein?! Hehehehe… Só cuida pra não deixá-la muito pesada ao abrir!

    Bjo na careca,

    Diogo

  7. A quem interessar possa, a última edição nacional da Rolling Stone (aquela com o Keith Richards e o Johnny Depp na capa) traz algumas entrevistas interessantes com icones músicais/culturais dos anos 60 sobre os próprios, isto é, os anos 60, 40 anos depois. Sugestão indicada para tiozões e sobrinhos, sem efeitos colaterais desagradáveis.

  8. Ad C disse:

    oanodalagartixa, mas tem representante brazuca nessa materia ou é sobre esse periodo nos eua? pq ler sobre os anos 60/70 lá fora eu já cansei…
    curti o post tbm, acho q mta gte aprendeu a gostar de samba com novos baianos, e tenho certeza q alguns aprenderam a gostar de rock c eles tbm

  9. oanodalargartixa disse:

    não, não tem “brazuka” não…só tem gringo…eu continuo gostando de ler sobre os anos 60/70 lá fora porque os anos 60/70 daqui (reflexo do que aconteceu “lá fora”, praticamente no mundo todo,) eu vivi, pelo menos a parte que me coube deles.

  10. Ad C disse:

    q pena. eu nao vivi, acho interessante mesmo saber o q acontecia aqui. reflexo do q aconteceu no mundo todo, claro, mas a minha impressao de fora (ja q nao era vivo ainda) é q ainda tem mta coisa q nao se falou por causa da censura da epoca e pq nao interessa às grandes empresas e governo atuais. po vou dar uma olhada nessa revista de qqr jeito, nao quis parecer q tava desdenhando nao

  11. Olha, pra ser absolutamente sincero, a censura, pra esse tipo de informação da qual estou falando desde o primeiro post, não atrapalhou praticamente nada. Encheu um pouco o saco, mas as informações que interessavam circulavam por canais marginais, coisa que, aliás, hj praticamente não existe, porque tudo massifica muito rápido. Ao mesmo tempo, quando o pessoal da mídia hoje não tem assunto – ou tem preguiça de falar do presente -, vai lá atrás e conta de novo o que aconteceu na “ditadura”. É lógico que isso não pode ser esquecido (até por causa das pessoas que não tinha nascido e tal), mas que o pessoal abusa, abusa. Abraços jurássicos!

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