Um museu pra chamar de seu

A minha imensa preguiça de escrever é proporcional à quantidade de fotos de lugares bacanas que visitamos em nossa estada de um mês na França.  Como tenho este blog, entre outras razões, pra ordenar e compartilhar as imagens que colhemos quando viajamos, vou tentar romper a inércia e buscar alguma lógica pra encadear os relatos.

Pra quem ainda não sabe, passamos o mês de maio inteiro na França. Voltamos a lugares onde já havíamos estado, pra rever amigos e lugares. Ficamos só 3 dias em Paris, não me perguntem por quê. Como o tempo era exíguo, deixamos de lado a pretensão de ir a todos os museus que nos faltam, como o d’Orsay, e escolhemos um, o Rodin, pra preservar a reputação de turista antenado.

Cada vez mais a idéia de museu se afasta daquela imagem de lugar onde a gente vai pra ver obra de arte e objetos antigos. Antes de mais nada, o museu moderno é um lugar agradável e instigante, onde se busca algum tipo de experiência, além da intelectual, de alteração do estado mental, de bem estar psíquico. Nesse aspecto, o Museu Rodin é um bom exemplo.  

Pra começar, é rodeado por um jardim supimpa, onde se pode brincar de caça ao ângulo mais descolado praquela foto da Torre Eiffel.

Logo à entrada, o funcionário mais famoso do museu nos aguardava encafifado, como sempre. Até ter visto os detalhes do rapaz, ele sempre me pareceu um mero ícone, um clichê na verdade, pra ser usado quando precisamos de uma imagem que represente o pensamento. De perto, dá pra ver que é um pouco mais que isso. É uma escultura duca, de grande força corporal e dramática.

O jardim do museu é quase mais interessante que o próprio museu. É um lugar onde se pode passar o dia, sentado num banco lendo um livro e olhando as esculturas do velho Augusto espalhadas por todos os cantos. Isto se não houver algum fotógrafo careca postado bem na tua frente.

Os Burgueses de Calais já tínhamos visto em Londres, nos jardins que ficam ao lado do Palácio de Westminster.

Mas sempre impressiona constatar os detalhes, a intensa humanidade e teatralidade das figuras. Um artista genial, mesmo pra quem não entende patavinas de arte, como eu, não deixa dúvidas.

A gente sempre ouviu dizer que é de menino que se torce o pepino. Ao ver o garoto tentando reproduzir em desenho uma escultura de Rodin, entre as árvores daquele jardim, cheguei à conclusão de que as fôrmas de torcer pepinos dos europeus são melhores do que as nossas. É só parar em frente a uma obra de arte, em qualquer museu europeu, que você vai entender o que eu digo.

Nada como uma soneca ouvindo passarinhos, banhado pelo sol da primavera, entre um Rodin e uma Camille Claudel.

É ou não é um dos parques mais bonitos de Paris?

Corpos nus embolados como numa suruba selvagem levantam a lebre de que o ateliê do seu Augusto era da breca. Imaginem a situação dos modelos em pose estática, durante horas, com o vento totalmente a favor.

Depois de andar e cheirar as flores do jardim por mais de uma hora, ainda temos o interior do museu pra visitar. Aí, as imagens falam alto.

Esta aí de baixo se chama Ilusão, a Irmã de Ícaro. Deu com os burros n’água, ou algo muito parecido com isso.

Como eu já disse, Rodin gostava de uma gandaia e, pelo jeito, era um expert em posições esdrúxulas.

Nunca pensei numa escultura em pedra que utilizasse a transparência, como esta aí abaixo. Levei uns bons minutos esperando que a digníssima moça lá de trás saísse do quadro. Mas ela tava viajando.

Pra encerrar, mais uma demonstração de que o livro de cabeceira do escultor devia ser o Kama Sutra. E o de seus modelos, um manual de primeiros socorros.

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Sobre Beto Paschoalini

É o que dizem por aí.
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7 respostas para Um museu pra chamar de seu

  1. Diogo disse:

    Putz Betão, como eu gosto de ler esse blog. Fico triste quando os textos acabam…

    PS: to esperando a dica da familia Paschoalini pra postar no Destemperados!

    Bjo

  2. Mô Gribel disse:

    Beto, concordo com o menino Diogo. Fico chateada quando os posts acabam e não tem mais um..
    Lindas fotos, lindo museu, lindas esculturas, lindo jardim….
    *suspiros* Ai, ai…Paris…

  3. Beto disse:

    Mô, eu também passo mal com Paris… E com o resto da França também…

  4. O Museu Rodin é um dos meus lugares favoritos em Paris. Não há adjetivos suficientes pra qualificar aqueles jardins…

  5. Zé Rodrigues disse:

    Caraca, mano. Eu, que nem faço castelinhos na areia da praia, sinto-me rastejante perto dessa arte. Merci. Zé.

  6. Emília disse:

    Que lugar inacreditável! Na próxima vez em Paris (de preferência no verão), o museu e o jardim vão estar no topo da minha listinha. Vontade de levar um lanchinho e um bom livro e passar uma bela tarde ali…

  7. Samira disse:

    Realmente, este museu é um lugar delicioso. O jardim é fantástico e as esculturas ali ao ar livre são super expressivas. Um lugar para passar bons momentos, sem dúvida.

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