O bis do bistrô da Malu

Encontrar bons restaurantes em viagens sempre foi uma encruzilhada. A internet veio pra acabar com isso. As roubadas desceram a níveis suportáveis, porque ficou muito mais fácil pesquisar, em casa, antes de viajar, aonde se pode comer de acordo com as nossas expectativas. Localização, ambiente, qualidade da comida, preço, tudo isso pode ser avaliado na segurança do nosso monitor.

Foi por meio de uma dica de uma freqüentadora do blog do Ricardo Freire, o Viaje na Viagem, a Malu, a quem não conheço, mas agradeço muito, que escolhi o bistrô Au Vieux Comptoir pra jantar em nossa primeira noite em Paris.

Situado perto do nosso hotel, podíamos ir e voltar a pé, olhando pros lados (de um, o Louvre; do outro, o Palais Royal e a Opera). Mesmo que não estivéssemos tão perto, estaríamos. Porque o restô fica ao lado da estação Chatelet do metrô.

 

 Antes de decidir, conferi a dica da Malu dando uma olhada no site do boteco e achei que tinha tudo pra dar certo. E não é que deu? Deu tanto que em três noites em Paris, duas jantamos lá. Na primeira noite, foi sensacional. Pedi um gigot d’agneu rôti, que vem a ser perna de cordeiro assada. O cordeiro veio numa cumbuca, acompanhada por batatinhas assadas com casca sobre uma ratatouille deliciosa, a carne estava macia, quase amanteigada.

E eu lambi os beiços sabiamente umedecidos por um Crozes Hermitage.

Teté foi de magret de canard com molho de piment d’espelette (que vim a descobrir, na internet, tratar-se de um tempero típico do país basco). O magret de canard  veio com batatas gratinadas com um pouco de creme, salpicadas com ciboulettes. O pato tava no ponto. Com um molho sensacional, levemente adocicado.

Da segunda vez que fomos, comi um tartar de salmão com manga e menta. Foi o primeiro tartar da minha obscura vida. E vocês sabem: do primeiro tartar a gente nunca esquece. Fresco, doce, ácido, leve.

Teté foi de salada de roquettes, o que vem a ser salada de rúcula, com tomate seco e parmigiano reggiano.

De principal, pedi coquilles saint jacques grelhadas com molho de açafrão (na foto abaixo, o prato ao fundo) e a Teté foi de carne, abatida ferozmente, a ponto de não sabermos de que bicho era. Olhando a foto, acreditamos tratar-se de vitela, mas os restos mortais da pobre, assim como os cérebros lesados pelo vinho na oportunidade e pelos percalços da vida acumulados, não permitem um veredito seguro.

Pra ser sincero, gostamos mais dos principais da primeira do que da segunda noite. Por uma questão de gosto, apenas, pois tudo estava muito bem preparado. O atendimento foi nota dez, francezíssimo, ou seja, curto e grosso, aquela objetividade que deixa os brasileiros atrapalhados, mas simpático na profissa. O ambiente vocês podem conferir na foto abaixo, que, como sempre, a Teté caprichou pra explorar o melhor do meu magnífico layout craniano. Ao fundo, o vieux comptoir com o relógio, pra justificar o nome do estabelecimento.


Por alto, com vinho, entrada, principal, água e café, 100 pilas os dois. Pagos com um sorriso de quem ainda tinha que andar umas 6 quadras pela rue Saint Honoré, até o hotel em que ficamos (já, já, faço um postizinho do bicho).

Então, Diogo, ficou satisfeito?

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Sobre Beto Paschoalini

É o que dizem por aí.
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8 respostas para O bis do bistrô da Malu

  1. Adriana disse:

    Olá Beto, te achei no blog do Riq!!! Ano passado estive em Paris por 7 dias, com meu marido e meus pais…fomos sim ao museu Rodin sem grandes expectativas…mas no final foi sem dúvida um dos mais agonchegantes e acolhedores…aqueles jardins, as fontes…foi uma surpresa e tanto!!! Queremos retornar ano que vem no período de março a julho (ainda não sabemos ao certo) mas dessa vez quero reservar 7 dias pela Provence…preciso entrar em um campo de lavanda e me perder!!! Isso é o que mais quero!!! E tb quero muito visitar o Verdon!
    Se puder me dar algumas dicas de roteiro pela Provence, eu agradeço e muito!!! Ah deixa eu aproveitar e perguntar em qual hotel vcs ficaram em Paris, pertinho da estação Chatelet?! Qdo retornar quero muito ficar hospedada nessa região!!!
    Obrigada Beto!

  2. Beto disse:

    Adriana, logo logo vou fazer um micropost sobre o hotel. E vários sobre a Provence. O Verdon você conhece aqui: https://omeulugar.wordpress.com/2007/05/10/o-meu-lugar-na-provence/ . Pra ver as lavandas, você vai ter que ir em julho ou agosto, quando acontece a florada. Eu é que agradeço a visita. Volte sempre.

  3. Diogo disse:

    Satisfeito? Satisfeito tu é que deves ter ficado depois dessa orgia comível e bebível (existe isso?)!!

    Fiquei é com água na boca, caspita!! Cara, genial. Adorei o lugar, mas gostei mais ainda do teu relato. Me divirto contigo Betão 😎

    To grudadinho na tela aqui, esperando os próximos do Loire 😉

  4. Diogo disse:

    Ah, e o passo-a-passo das fotos tá primoroso, exatamente como eu recomendei: frente/interior/peculiaridade/pratos além de decorar o nome dos pedidos e o preço!!

  5. Beto disse:

    Diogo, decorar? Rá-rá-rá! 😆 É a Teté que anota e de vez em quando. Meu epitáfio será: “Eu não lembro de p… nenhuma!”. Bjs

  6. Mô Gribel disse:

    Nhammmmm isso me deu fome!!!

  7. Diogo disse:

    Hahahahahahahahaha, esse lance do epitáfio me lembrou a história de uma amiga minha. Ela é mucho loka, e até bem pouco tempo atrás, não bebia. Daí a gente brincava que no epitáfio dela estaria escrito: Imagina se bebesse!

    Hoje em dia ela bebe. Pra cacete. Daí, lógicamente, o epitáfio anterior dela não se aplica mais. E o novo é: Morreu por causa disso!

    Hehehe, esses epitáfios…

    Bjo

  8. Malu disse:

    Beto, vc acredita que só hoje,10/05/2009, é que li seu post? Estou arrasada por ter perdido a oportunidade de comentar no ato. Mas, como tudo tem um lado bom, pude relembrar desse lugar delicioso em Paris. Também fui 2 vezes e voltarei! toc toc toc.
    Descendo na direção do Sena,virando a primeira à esquerda fica a Av. Victoria e o Hotel que eu adoro em Paris: Victoria Chatelet. Vc passou por ali? As fotos da Teté estão ótimas. Super abraços.

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